I Ano. O Processo de Socialização e as Instituições Sociais


A Instituição Escolar.

Como você reagiria se ouvisse ou lesse esta notícia? Ficaria feliz por ver-se livre desta obrigação? Ficaria preocupado, pois você já ouviu falar que sem escolas temos poucas chances na vida? Ficaria triste, pois é na escola que você encontra seus amigos?

A escola, tal como conhecemos hoje, intitulada pelos historiadores da educação como Escola Moderna, começou a se configurar em fins do século XVI e ao longo do século XVII.

Antes disso, nas sociedades antigas e medievais, já havia a preocupação com a educação de seus jovens, os quais estudavam ou individualmente, sob a orientação de um mestre, ou em pequenos grupos, independentes de idade ou seriação. Adultos e crianças frequentavam a mesma classe durante o tempo que desejassem ou precisassem, e isso não era considerado um problema. As teorias da psicologia da aprendizagem, que estabelecem etapas para o desenvolvimento humano, virão muitos anos depois.

Mas a escola moderna organiza-se inicialmente com características que já conhecemos bem: a preocupação em separar os alunos em classes seriadas, de acordo com a faixa etária; a divisão sistemática dos programas de acordo com cada série; os níveis de estudos passam a ter um encadeamento: a escola elementar (ler, escrever e contar), com a escola média ou profissional e os estudos superiores; o tempo para o estudo e para o cumprimento dos programas para uma determinada série também passam a ser preestabelecidos. Não será mais o ritmo de aprendizado do aluno que dirá de quanto tempo ele necessita para aprender, mas sim o ritmo imposto pela instituição.

Outros elementos muito comuns em nossa prática escolar também passaram a ser utilizados, como o registro das aulas, o controle de frequência (chamada), a elaboração de textos simplificados para cada disciplina (livros didáticos). Junto com isso teremos maior rigor disciplinar, com a criação de normas e regimentos de conduta. Enfim, são práticas que têm a função de organizar, disciplinar e controlar, e que hoje nos parecem naturais e quase imutáveis.

As revoluções burguesas, principalmente a inglesa (séc.XVIl) e a francesa (séc. XVIIl), vão encerrar definitivamente o feudalismo e inaugurar um novo modo de produção – o capitalismo. A burguesia, classe social em ascensão, irá conceber uma nova doutrina social ou uma nova ideologia para o capitalismo que se denominará liberalismo. Os princípios do liberalismo são: o individualismo, a propriedade, a liberdade, a igualdade e a democracia. Explicando os princípios:

A doutrina do individualismo coloca no esforço individual toda a responsabilidade para que as pessoas atinjam o sucesso ou o progresso, desconsiderando as condições econômicas e sociais nas quais estejam vivendo. Para o liberalismo, os indivíduos serão tão mais livres quanto menor for a ação do Estado, ou seja, o Estado não deve interferir e despender recursos para serviços públicos.

Quanto ao princípio da propriedade, significa que todos têm direito à propriedade desde que se esforcem e trabalhem para isso. A igualdade, como é tratada no liberalismo, não se refere à igualdade social, mas sim à igualdade perante a lei. Já devem ter ouvido a frase: “Todos são iguais perante a lei”. Pois é, mas em relação às desigualdades sociais, a conversa é outra. Os liberais consideram natural que existam pobres e ricos, uma vez que nem todas as pessoas são talentosas ou esforçadas da mesma forma.

A democracia, defendida pelos liberais, resume-se à democracia representativa, isto é, o direito de todos escolherem seus representantes políticos. No entanto, democracia é mais do que isto, é o direito de usufruirmos igualmente os bens produzidos em nossa sociedade.

Outro importante movimento que se desenvolve à partir do século XVII, foi a chamada “revolução científica”. A filosofia, e as ciências físicas, químicas e matemáticas sofrem um grande desenvolvimento e há uma supervalorização do pensamento racional e científico. O filósofo e matemático René Descartes (França,1596 – 1650) é considerado o fundador desta doutrina.

Observe que não fica difícil estabelecer relações entre a doutrina liberal, o pensamento racionalista e o surgimento da escola moderna, tal como essa foi descrita anteriormente.

Teorias crítico-reprodutivistas:

Estas teorias partem do princípio de que a escola é uma instituição que, por meio de suas práticas, conhecimentos e valores veiculados, têm contribuído para a reprodução das desigualdades da sociedade de classe em que vivemos. Os sociólogos franceses, Pierre Bourdieu (1930-2002) e Jean-Claude Passeron (1930- ), são representantes desta teoria, e acompanhar seus pensamentos pode ajudar-nos a compreendê-la. No interior de uma sociedade de classes existem diferenças culturais. As elites possuem um determinado patrimônio cultural constituído de normas de falar, de vestir-se, de valores, etc. Já as classes trabalhadoras (ou dominadas, como são identificadas pelos autores) possuem outras características culturais, diferentes, não inferiores, pois têm lhes permitido sua manutenção enquanto classe. A escola, por sua vez, ignora estas diferenças socioculturais, selecionando e privilegiando em sua teoria e prática as manifestações e os valores culturais das classes dominantes.

Com essa atitude, ela favorece aquelas crianças e jovens que já dominam este aparato cultural. Para estes, a escola é realmente uma continuidade da família e do “mundo” do qual provêm. A escola somente reforça e valoriza conhecimentos que estes já trazem de casa. Já para os jovens filhos das classes trabalhadoras, a escola representa uma ruptura. Seus valores e saberes são desprezados, ignorados, e ela necessita quase que reiniciar sua inserção cultural, ou seja, aprender novos padrões ou modelos de cultura. Dentro dessa lógica, é evidente que para os estudantes filhos das classes dominantes alcançar o sucesso escolar torna-se bem mais fácil do que para aquelas que têm que “desaprender” uma cultura para aprender um novo jeito de pensar, falar, movimentar-se, enfim, enxergar o mundo, inserir-se neste e ainda ser bem-sucedido. Bourdieu chama isso de “violência simbólica”, ou seja, o desprezo e a inferiorização da expressão cultural de um grupo por outro mais poderoso econômica ou politicamente, faz com que esse perca sua identidade e suas referências, tornando-se fraco, inseguro e mais sujeito à dominação.

Estes autores fazem uma crítica ao sistema escolar. Afirmam que a escola está organizada para servir apenas a alguns grupos da sociedade, aqueles que já trazem de casa uma bagagem cultural semelhante a da escola.

Teoria funcionalista

Émile Durkheim (1858–1917) é um dos representantes do pensamento conservador. Sua teoria faz a defesa da ordem social dominante, do chamado “status quo”. Não menciona a necessidade de mudanças, reformas ou muito menos revoluções.

Seguindo a linha de pensamento de Durkheim, a escola, assim como as demais instituições sociais, têm a função de imprimir sobre as novas gerações valores morais e disciplinares que visam à perpetuação da sociedade tal como ela está organizada quanto à ordem e no respeito aos poderes dominantes.

Durkheim trata a sociedade como se essa fosse uma entidade externa aos indivíduos, acima dos conflitos sociais, das lutas por interesses diversos. A sociedade é assim entendida como um corpo harmônico, com valores e à qual só nos resta a adaptação.

Pois bem! Para Durkheim a escola não é alvo de críticas, pois funciona adequadamente à sociedade na qual está inserida. Para ele, todos os indivíduos e instituições têm uma função a cumprir, que uma vez, bem desempenhada contribuirá para o progresso e à harmonia social. Os conflitos sociais não resultam das desigualdades provindas da sociedade de classes, mas são espécies de “doenças”, e como tais devem ser “tratadas”.

O conhecimento dessas teorias nos ajuda a compreender o fracasso escolar, este fenômeno que anualmente exclui centenas de jovens da escola. Se formos verificar a origem social destes alunos que não conseguiram concluir seus estudos, verificaremos que pertencem às classes menos favorecidas economicamente, e cujos hábitos culturais estão mais distantes dos padrões oficiais. No entanto, temos que estar atentos ao fato de que as teorias nos ajudam a melhor compreender como e porquê as coisas acontecem de uma determinada forma, mesmo que esta forma esteja desagradando ou prejudicando muita gente, como é o caso da escola, arriscaríamos dizer. Mas nenhuma teoria sociológica consegue dar conta de explicar toda a realidade educacional.

Formas de olhar para esta realidade!

Corremos sérios riscos ao tentarmos “encaixar” a realidade aos modelos teóricos, se nos fixarmos somente nas teorias e não prestarmos atenção às diferenças e às peculiaridades. Estes são alguns riscos:

O pensamento imobilista – ou seja,se a escola existe somente para reproduzir a sociedade desigual que aí está, então nada podemos fazer senão nos adequarmos a esta situação. Esta atitude passiva em nada contribui para desenvolvermos as atitudes críticas e criativas necessárias à criação de um outro modelo de escola.

A generalização – acreditar que todas as escolas são iguais. Que todas têm a mesma organização pedagógica, a mesma interpretação das leis, a mesma ideologia, as mesmas práticas. Ainda bem que isso não é verdade! Vários são os fatores que contribuem para a construção da cultura de cada escola: sua localização espacial e temporal, sua arquitetura, e principalmente seus sujeitos – professores, alunos, diretores, funcionários – verdadeiros autores da educação escolar. A forma como essas pessoas relacionam-se no dia-a-dia escolar, criam e assimilam regras, selecionam e aplicam conteúdos não está necessariamente condicionada às normas oficiais, mas muito mais às preferências pessoais, às opções políticas, às histórias de vida, às formas de pensar e agir próprias daquele grupo, que podem ser mais ou menos coesas.

Perceber a escola dessa forma, em suas peculiaridades e diferenças nos permite ver possibilidades de ação e de mudanças nessa instituição em que passamos tantos anos.

Outra forma de olhar para a escola!

O direito à educação pública e gratuita foi assegurado na Constituição de 1988, e refere-se somente ao Ensino Fundamental (pré à 8ª série). O Ensino Médio ainda não está garantido a todos pela lei.

A escola pública, universal e gratuita é um direito garantido pela Constituição Nacional. É uma conquista da sociedade, resultado de muita luta de professores, estudantes, pais e de todos aqueles que se importam com a justiça e com a igualdade social. Mas ao mesmo tempo que é um direito, a educação é obrigatória; ou seja, o Estado tem a obrigação de oferecer escola e os pais ou responsáveis têm o dever de matricularem e manterem seus filhos menores na escola, sob pena de serem punidos até mesmo com a perda da guarda destes.(Art. 22 e 24 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

A escola é uma instituição regida por normas estabelecidas por grupos externos a esta. No caso da escola pública brasileira, é o Poder Público quem exerce essa função. A escolas particulares também prestam contas ao Poder Público, assim como às entidades que as mantêm.

Por exemplo, as escolas confessionais possuem normas que são ditadas pelas organizações religiosas a que estão ligadas. Mas além das normas ditadas exteriormente, as escolas possuem uma dinâmica interna, que lhes permite criar seu próprio sistema de normas e valores, sua própria “cara”, ou o que pesquisadores da educação denominam hoje de “cultura escolar”. Vamos buscar entender como essa “cultura escolar” pode constituir-se a nosso favor.

Conhecido no mundo todo, Paulo Freire (1921–1997) representante da filosofia da libertação, é considerado um dos mais importantes educadores da atualidade. Suas obras e experiências se espalharam pelo mundo principalmente porque após o golpe militar de 1964, que instaurou a ditadura brasileira, Freire foi exilado do Brasil, vivendo e trabalhando primeiramente no Chile, e depois em vários lugares como Genebra, na Suíça, países africanos, como Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe, e Nicarágua, na América Central. Por onde passou, Paulo Freire deixou sua marca de educador comprometido com as classes oprimidas. Quando retornou ao Brasil, após a ditadura, retomou suas atividades na universidade, assumiu cargos políticos e continuou a escrever para aqueles que sonham e acreditam que a educação e o mundo podem ser para todos e não só para alguns.

A Instituição Escolar Educação, para Paulo Freire, antes de mais nada, tem a ver com conscientização. Partindo do princípio de que vivemos numa sociedade dividida em classes, temos alguns grupos que estão na situação de domínio, de poder, e outros (a grande maioria), que vivem à mercê das ordens e decisões tomadas pelos primeiros, numa situação de opressão. Ser oprimido significa não somente estar subjugado economicamente, mas principalmente não ser respeitado em suas manifestações culturais (valores, linguagem, religião, etc), não ter voz na sociedade (suas insatisfações e suas propostas não são ouvidas), e não considerar-se sujeito de sua história. A condição de oprimido é muito complexa porque esse, muitas vezes, não se percebe como tal, ou pior, se percebe e considera como “natural” o fato de existirem os que mandam e os que são mandados (visão fatalista), também muitas vezes considera-se mesmo inferior e “merecedor” do lugar que ocupa na sociedade.

A educação conscientizadora, proposta por Paulo Freire, tem a tarefa de ao mesmo tempo conscientizar criticamente o educando de sua posição social e mobilizá-lo internamente para a luta pela transformação da sociedade. Portanto, a educação assim entendida, reveste-se de um caráter essencialmente político. Ou seja, além do estudo, do conhecimento, da aquisição de habilidades, a escola tem papel fundamental na construção de sujeitos autônomos, críticos, em condições para lutar pela superação das desigualdade e pela transformação da sociedade.

Este é o sentido da Pedagogia da Libertação – contribuir para a criação de homens e mulheres “livres” – abertos para a vida, para o novo, para um fazer e refazer permanente na busca do mundo que fará a todos mais felizes, e não somente alguns. Algumas pessoas criticam Paulo Freire, acusando-o de utópico ou sonhador. A elas, ele mesmo responde:

“(…) Não há amanhã sem projeto, sem sonho, sem utopia, sem esperança, sem o trabalho de criação e desenvolvimento de possibilidades que viabilizem a sua concretização. O meu discurso em favor do sonho, da utopia, da liberdade, da democracia é o discurso de quem recusa a acomodação e não deixa morrer em si o gosto de ser gente, que o fatalismo deteriora (FREIRE, 2001: 86).

A Instituição Religiosa.

O que são os rituais?

Os rituais são atos repetitivos, que rememoram o acontecimento inicial da história sagrada de determinada cultura. É fundamental na celebração do ritual que as palavras e os gestos sejam sempre os mesmos, pois trata-se de uma reafirmação dos laços entre os humanos e os deuses. Quem já presenciou uma cerimônia de casamento da Igreja Católica conhece de antemão as palavras e os gestos que serão ditos e praticados pelo padre e pelos noivos. Trata-se de um ritual de passagem, da vida de solteiro para a vida de casado. Os rituais são realizados para agradecermos graças recebidas, para pedirmos ajuda, para desculpar-nos por atos considerados incorretos, assim como para sermos aceitos numa religião, ou nos despedirmos da vida.

Outra importante característica das religiões são os dogmas – verdades irrefutáveis que são mantidas pela fé. Um dogma jamais pode ser questionado, ou colocado em dúvida. Por exemplo: a transformação do vinho e do pão em sangue e corpo de Cristo. Este conjunto de símbolos sagrados, que inclui o pensamento religioso, somado aos locais e rituais sagrados formará um sistema religioso, ou uma religião.
” (BERGER apud FILORAMI&PRANDI, 1999: p.267).

Em sua definição, Berger contempla tanto o aspecto transcendental quanto o cultural (obra humana). Prosseguindo nesse raciocínio, cabe a explicação etimológica da palavra religião. A partir de um pensamento de Santo Agostinho o qual nos propõe que liguemos nossa alma a um único Deus, temos hoje a associação da palavra religião a “religar”. Ligar o que a quê? Ligar o mundo sobrenatural, sagrado, ao mundo humano, ou profano, fazer-nos crer (e este é um aspecto fundamental da religião: a fé), que nós mortais não estamos sozinhos no universo, que há um sentido para a vida, e que cabe a cada um de nós tentarmos descobrir a que viemos.

São muitas as definições propostas a este termo. Por tratar-se de um aspecto ao mesmo tempo amplo, multifacetado e que envolve a subjetividade humana, torna-se quase impossível chegar-se a algum consenso. No entanto, escolhemos para este texto uma pequena definição de Peter Berger, sociólogo norte-americano:

Por que estudar a religião, e suas várias manifestações?

Antes de tudo porque não vivemos isolados no mundo. Estamos em contato contínuo com as mais diversas culturas do planeta! Já há muito tempo a antropologia nos alertou sobre os riscos e os prejuízos que o pensamento etnocêntrico causaram à humanidade. Quantas culturas arrasadas, quantos povos destruídos e dominados em virtude da ignorância e da arrogância de outros, mais poderosos economicamente.

Hoje, é inadmissível termos este tipo de atitude, qual seja, a de olharmos com superioridade para povos com culturas diferentes da nossa, julgarmos como inferiores comportamentos culturais que nos parecem “estranhos” ou exóticos. Conhecer as diferentes religiões que se espalham por nosso país e pelo mundo afora, possibilita-nos abrirmos os olhos para o mundo, ou melhor, conhecermos outras dimensões para se compreender e explicar a vida e o universo. Veremos que o mundo é muito maior do que imaginamos e muito mais fascinante depois de conhecermos as histórias que buscam dar significado às nossas existências.

Uma segunda forma de compreensão do pensamento religioso é percebê-lo como instrumento de dominação, de intolerância, e que ao extremo pode chegar ao fanatismo religioso.

Por que a Igreja Católica possui tanto poder?

A origem deste poderio da Igreja Católica pode ser encontrado no fim do Império Romano do Ocidente, com a legalização do cristianismo no ano 313. A partir daí, o progresso do cristianismo se acelerou, chegando ao seu auge na Idade Média européia. Nesse período da história,a Igreja Católica reinou absoluta, decidindo os destinos dos reinos e dos indivíduos. Todos eram obrigados a professar a mesma religião,e aqueles que não obedecessem seriam duramente castigados.

Foi um tempo de muito terror e mentiras. Qualquer ato ou sinal que contrariasse os rígidos preceitos da Igreja eram considerados heresia ou feitiçaria, motivos para perseguições e castigos.

Muitos séculos se passaram, e somente no século XVI, veremos o poder da Igreja Católica ser abalado, com o Movimento da Reforma Religiosa. A Reforma constituiu-se num rompimento da Igreja Católica e teve como consequência religiosa o surgimento de novas igrejas – conhecidas como protestantes (luteranismo, calvinismo). O conflito tem início quando Martinho Lutero (1484–1546), monge alemão rompe com o Papa porque discordava de algumas práticas da Igreja, como a venda de indulgências, de relíquias e cargos.

A partir do Iluminismo, teremos o acirramento do conflito entre ciência e religião. Galileu Galilei (1564–1642) foi obrigado pela Igreja a negar sua teoria (heliocentrismo), caso não desejasse sofrer as penas da Inquisição. O Iluminismo introduziu formas inéditas de ver o mundo, que até então era percebido somente em termos religiosos, e esta nova visão estava associada a uma nova classe social que se insurgia contra o poder aristocrático. Neste período (séc.XVIII), a religião está associada ao poder aristocrático. Portanto, é fácil perceber que a luta contra o pensamento religioso transformou-se numa luta política, contra os representantes deste pensamento conservador.

É neste contexto histórico (séc.XIX), que alguns teóricos da Sociologia iniciam seus estudos sobre a religião. Karl Marx (1818 -1883),Émile Durkheim (1858 -1917) e Max Weber(1864 -1920) mais uma vez nos auxiliam nesta tarefa da Sociologia de analisar contextualmente e desnaturalizar as relações sociais. Chegam a conclusões distintas em suas análises e reflexões sobre as funções da religião nas sociedades.

No entanto, num aspecto é possível observar a convergência entre os três pensadores: são unânimes em anunciar o previsível fim da religião. Afirmam que com o desenvolvimento das sociedades industriais, a religião tenderia a perder espaço para outras atividades sociais. Ou seja, a modernização e a industrialização levaria ao que a Sociologia denomina de processo de secularização.

É!! Parece que se equivocaram! Caso contrário não estaríamos neste momento gastando nossas horas com esse estudo.

Para Durkheim, a religião teria a função de fortalecer os laços de coesão social, e contribuir para a solidariedade dos membros do grupo. Por isso, as cerimônias e os rituais ganham uma grande importância, uma vez que são estes momentos que possibilitam o encontro dos fiéis e a reafirmação de suas crenças. Durkheim iniciou e baseou suas análises em uma pesquisa realizada com os povos aborígenes australianos, na qual abordava a prática do totemismo. Um totem é um objeto sagrado, um símbolo do grupo, venerado nas cerimônias ritualísticas.Pode ser uma planta, um animal, ou objeto, que por possuir, em sua origem, um significado especial para o grupo, adquire caráter de sagrado. A utilização do termo Totem está restrito às religiões chamadas “elementares” ou simples. Reafirmando, podemos concluir que para Durkheim, a religião possui unicamente a função de conservar e fortalecer a ordem estabelecida. De forma alguma pode ser associada a questões de poder político ou ideológico.

Marx muitas vezes foi citado como um crítico mordaz da religião, devido principalmente à sua famosa frase: “a religião é o ópio do povo” (MARX, 1991: 106). Mas veremos que isto não é bem assim. Marx foi um grande pensador e crítico do sistema capitalista. Suas análises e críticas estão focadas no lucro, na mais-valia, na divisão da sociedade entre burguesia e proletariado, na luta de classes. Portanto, suas principais preocupações estavam focadas nas condições materiais das vidas das pessoas, na concretude do sistema. Para ele, a forma como a sociedade se organiza para produzir os seus bens materiais, ou seja, a forma de organização do trabalho vai exercer forte influência sobre a forma como as pessoas pensam. Este pensar é representado pelo conjunto de valores e conhecimentos impostos pelo Estado e pela religião. Em seu texto “A questão judaica”, escrito em 1844, Marx discute a respeito do papel desempenhado por estas instituições no sentido de controlarem e modelarem o pensamento social.

Para Marx, a sociedade civil só terá condições de alcançar a liberdade, ou a “emancipação humana” quando tiver condições de participar efetivamente das decisões políticas do Estado, e por conseguinte alcançar a verdadeira democracia. Mas atenção! Entenda-se democracia não somente em sentido político/eleitoral, como nos ensinaram os liberais do século XVIII, mas sim em seu sentido pleno, como igualdade na distribuição dos bens socialmente produzidos e materializados na forma de direitos sociais.

Por esse motivo, podemos afirmar que para Marx, a grande transformação deveria acontecer no modo da sociedade produzir e distribuir seus bens, assim como na presença de um Estado que atendesse aos interesses coletivos, pois uma vez construída uma sociedade justa e igualitária, não haveria mais necessidade das pessoas sonharem com um mundo ideal, ou um paraíso. “Ópio do povo” significa que o povo projeta em seus deuses e no mundo sobrenatural a vida que deseja ter aqui na Terra. Esta forma de pensar leva à resignação, a aceitação das condições de nossa vida como um destino que não pode ser modificado.

Mas Marx demonstra grande compreensão pela manifestações religiosas quando afirma: “a religião é o coração de um mundo sem coração” (MARX, 1991:106), ou seja, a religião é o único refúgio, o único consolo para aqueles a quem a vida é muito dura e ingrata.

Essa é mais uma forma de compreendermos a religião. Que nos leva à acomodação, à submissão, à aceitação de nosso lugar na sociedade sem questionamentos como nos sugere o ensinamentoé mais fácil um camelo passar num buraco da agulha que um rico entrar no reino dos céus.

Weber foi um grande estudioso da religião. Empreendeu análises comparativas entre as religiões orientais e ocidentais, com o objetivo de compreender as razões do desenvolvimento do capitalismo na Europa. Concluiu que o mundo oriental não oferecia condições para este tipo de organização econômica devido aos seus sistemas religiosos, os quais pregavam valores de harmonia com o mundo, de passividade em relação às condições de existência, ao contrário das religiões cristãs que incentivavam o trabalho e a prosperidade.

Em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Weber desenvolve um interessante estudo em que demonstra o quanto os protestantes (em especial os calvinistas) contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo. Esses possuíam um forte espírito empreendedor baseado na crença de que com o trabalho estariam servindo a Deus. O enriquecimento e o sucesso material eram sinais de favorecimento divino.

Esses são, portanto, três possíveis olhares sociológicos sobre a instituição religiosa. Saber da existência e conhecer outras religiões, além de ampliar nosso universo cultural e nos ensinar a respeitar a diversidade cultural, leva-nos principalmente a compreender melhor nossa própria religião. Sim, porque só nos percebemos como construtores de cultura na medida em que conhecemos a cultura do outro. Quando só conheço o meu mundo este se torna “natural”, ou o único possível!

Importa ressaltar, antes de conhecermos o quadro das religiões, a existência de uma postura filosófica denominada Ateísmo. Surge na antiguidade greco-romana e ganha maior espaço à partir do século XVIII, com o surgimento das teorias anarquistas, liberais e socialistas. Consiste na total ausência de explicação divina para a vida. Vamos, em seguida, apresentar as principais religiões que podemos encontrar espalhadas por todo o mundo. Apenas citaremos e apontaremos algumas características de cada uma delas. O interesse e a curiosidade de vocês poderá levar à pesquisa e ao aprofundamento sobre o assunto.

Religiões originárias do Extremo-Oriente

Taoísmo

Baseia sua doutrina num livro chamado “Tao Te Ching” – o livro do Tao (ordem do mundo) e do Te (força vital), escrito presumivelmente pelo filósofo chinês Lao Tsé, no séc. VI a. C. O Taoísmo prega a passividade para se alcançar o Tao, ao contrário do confucionismo que propõe o conhecimento. Para Lao Tsé, o mundo ideal era aquele das antigas aldeias, onde a simplicidade e a ingenuidade criariam as condições propícias para o perfeito equilíbrio entre o Tao e o Te.

Xintoísmo

Trata-se da antiga religião oficial do Japão. Originariamente não possuía um fundador, doutrinas nem dogmas. Estrutura-se por intermédio de um conjunto de mitos e ritos que estabelecem o contato com o divino e explicam a origem do mundo, do Japão e da família imperial japonesa. O universo xintoísta é povoado por milhares de deuses, denominados kamis – que se manifestam na forma de rios, montanhas, flores, seres humanos, animais, etc. Kami também pode ser traduzido por espírito, sendo o culto aos ancestrais uma das práticas mais importantes do xintoísmo.

Hinduísmo

São surpreendentes a permanência no tempo e a complexidade desta religião, que perdura há aproximadamente 6 mil anos, e compõe-se de tão grande variedade de cultos e práticas religiosas, que pode ser considerada como um grande conjunto formado por várias pequenas religiões. Mas algumas características unem todos os hinduístas, quais sejam: o sistema de castas, a adoração às vacas e a crença no carma. A organização da sociedade em castas parte do princípio de que os indivíduos vêm ao mundo já ocupando um lugar na hierarquia social, como resultado de suas encarnações nas vidas passadas. As quatro castas do hinduísmo são: 1º. – os sacerdotes (brâmanes), 2º. – guerreiros (xátrias), 3º. – agricultores, comerciantes e artesãos(vaixás) e 4º. – os servos (sudras). Um quinto grupo que não é considerado casta são os párias. Cada casta tem suas próprias regras de condutas e suas próprias regras religiosas.

A vaca é considerado um animal sagrado, um símbolo da vida, porque ela supre tudo que é necessário à sobrevivência humana, portanto, não é permitido matá-la.

Budismo

Criado na Índia, pelo príncipe Sidarta Gautama – O Buda (o iluminado), por volta do séc. VI a.C.. que é tratado pelos adeptos como um guia espiritual, e não um deus. É contra o sistema de castas existente na Índia.

Segundo o budismo, o ser humano está condenado à reencarnação após cada morte, e a enfrentar novamente os sofrimentos do mundo (lei do carma). Para encerrar este constante ciclo, deve-se buscar o estado da perfeita iluminação, ou nirvana. Este estado é alcançado por intermédio da meditação e da contemplação, que corresponde à negação dos desejos – fonte de todos os sofrimentos.

Confucionismo

Foi a doutrina oficial da China durante quase dois mil anos (do séc.II ao início do séc. XX). Criada pelo filósofo Confúcio (Kung Fu Tzu), seus ensinamentos apontam no sentido da busca do caminho do Tao – que seria o equilíbrio e a harmonia entre o universo, a natureza e o indivíduo.

Para alcançar este caminho é necessário o conhecimento e a compreensão, os quais são obtidos por meio do estudo do passado, da tradição. A respeito da vida após a morte, Confúcio não ousava comentar, uma vez que ainda não havíamos compreendido o que é a vida na Terra.

Religiões de Origem Africana

Citaremos aqui somente as principais religiões afro-brasileiras presentes hoje no Brasil, não esquecendo de que, na África, encontraremos uma grande variedade de religiões – as religiões tradicionais ou tribais.

Candomblé

Originário da África, o candomblé chegou ao Brasil junto com os primeiros escravos africanos, entre os séc. XVI e XVII. Seus deuses são chamados de Orixás e representam as principais nações africanas de língua iorubá. Suas cerimônias são realizadas em língua africana, acompanhadas de cantos e sons de atabaques. Como esta forma de religião era proibida no Brasil, seus adeptos associaram seus deuses a santos católicos, criando o que se conhece como sincretismo religioso.

Os deuses do candomblé dão proteção às pessoas, mas não determinam como essas devem agir, e não castigam caso essas cometam algo considerado incorreto para a sociedade.

Umbanda

É uma religião brasileira, resultado da fusão de duas religiões africanas: a cabula e o candomblé, e de crenças européias. O universo para os umbandistas é habitado por entidades espirituais – os guias, que entram em comunicação com as pessoas por intermédio dos iniciados, ou médiuns. Os guias assumem formas como o caboclo, a pomba-gira, o preto velho e outros. A umbanda se propagou por todas as regiões do Brasil, e é frequentada por pessoas de todas as classes sociais e todas as origens étnicas.

Religiões originárias do Oriente-Médio

As religiões comentadas abaixo adotam a prática do monoteísmo, ou seja, o culto a um único Deus.

Judaísmo

É a mais antiga da três grandes religiões monoteístas, sendo suas origens encontradas há aproximadamente 1.OOO anos a.C. A palavra judeu deriva de Judeia, parte de uma região do antigo reino de Israel.

Os judeus creem num único Deus, onipotente, o qual estabeleceu com eles um pacto, uma aliança. Por isso, consideram-se “o povo escolhido por Deus”. O livro sagrado dos judeus é a Bíblia judaica, ou Torá, que corresponde ao Antigo Testamento dos cristãos, porém organizada de uma forma um pouco diferente.

A vida dos judeus é regida por normas rígidas estabelecidas por Deus. O não-cumprimento dos deveres para com Deus e com seus semelhantes implicará em castigos divinos.

Cristianismo

Tem origem no séc.I, na região ocupada hoje pelos atuais Estados de Israel e territórios palestinos. Seus primeiros adeptos são os seguidores de Jesus Cristo e de seus apóstolos.

A doutrina cristã nos ensina que Deus envia à Terra, seu filho Cristo – o salvador, o qual foi morto a favor dos homens que estavam distanciado-se de Deus. Na sua ressurreição Jesus oferece às pessoas a possibilidade de salvação eterna após a morte, caso essas aceitem seguir seus preceitos de amor a Deus e aos seus semelhantes.

O cristianismo segue a Bíblia, que se divide em Antigo e Novo Testamento. Algumas vertentes do cristianismo são:

Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa, Igreja Anglicana, Igreja Luterana ,Igreja Presbiteriana, Igreja Metodista, Igreja Batista.

Igreja Pentescostais: Congregação Cristã no Brasil, Assembleia de Deus, Evangelho Quadrangular, Deus é Amor

Igrejas Neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, entre outras.

Cristianismo de fronteira: Mórmons, Adventistas, Testemunhas de Jeová

Islamismo

Sua origem baseia-se nos ensinamentos do profeta Maomé, assim como ocorre com o cristianismo. A palavra islã significa submeter-se. Seu deus é chamado Alá, e seus seguidores são conhecidos como muçulmanos (em árabe Muslim, aquele que se subordina a Deus). O livro sagrado do islamismo é o Alcorão, sendo seus principais ensinamentos: onipotência de Deus e a necessidade de bondade, generosidade e justiça entre as pessoas. A maioria dos muçulmanos está concentrada no norte e no leste da África, no Oriente Médio e no Paquistão.

Após elencarmos todo este numeroso rol de religiões e suas subdivisões em igrejas, que aliás não termina aqui, se você pesquisar, certamente encontrará outras ramificações destas religiões ou seitas isoladas e provavelmente você ficará surpreso com a quantidade e a diversidade de manifestações religiosas existentes no mundo. Este quadro constitui-se no que se chama de pluralismo religioso, e certamente nos coloca importantes questões sociológicas, sobre as quais vale a pena pensar:

A lógica do mercado que nas últimas décadas do século XX invadiu todas as esferas da vida humana nas sociedades capitalistas não poupou as religiões. Por isso, temos que estar atentos aos “espertalhões”, que se aproveitam dos sofrimentos e falta de perspectivas das pessoas para vender sua “mercadoria” e ganhar adeptos que favorecerão seus “negócios”.

O desenvolvimento industrial levaria a uma perda da influência das religiões, diziam os teóricos do séc. XIX. A ciência avançou vertiginosamente no último século, e as religiões, por sua vez, ganharam uma abrangência e diversidade nunca antes conhecidas. É importante observar o papel dos meios de comunicação na difusão de mensagens religiosas, que chegam prontas em nossas casas.

Não importam suas crenças religiosas, não importa se você é ateu. Mas importa que você não espere o mundo acabar para lembrar-se da experiência da vida, do presente, que se acaba e recomeça a cada dia.

A INSTITUIÇÃO FAMILIAR

Por que estudamos sobre a família? Que objetivos tem a sociologia ao propor o estudo deste assunto?

Certamente não pretendemos chegar a nenhum consenso, a nenhuma verdade única, como também não iremos lhes apresentar um belo modelo familiar a ser seguido. Nosso objetivo neste caso é problematizar! Sim, problematizar para que possamos nos situar melhor na sociedade, compreender nossa origem social e as implicações daí decorrentes, e a partir disso podermos escolher e encontrar nosso lugar no mundo, mantendo os vínculos familiares que nos forem importantes e abandonando sem culpa aqueles que nos fazem mal.

E como faremos esta problematização? Primeiramente conhecendo como a Sociologia define e classifica as organizações familiares. Após, teremos contato com os resultados de algumas pesquisas antropológicas que ilustram a respeito da diversidade familiar encontrada pelo mundo afora. Finalmente, discutiremos sobre as mudanças pelas quais passam as famílias nas sociedades contemporâneas e as alternativas buscadas pelos grupos humanos, na tentativa de encontrar formas mais harmoniosas e saudáveis de se viver. Então, conseguiremos relativizar a respeito desta questão, ou seja, não nos utilizarmos somente do ponto de vista individual para analisar uma situação (neste caso a familiar), mas podermos vê-la a partir de outros referenciais teóricos e sociais.

Alguns conceitos:

Família é um agrupamento de pessoas cujos membros possuem entre si laços de parentesco, podendo ou não habitarem a mesma casa.

Por exemplo, um pai separado continuará fazendo parte da família de seu filho (mas não de sua ex-mulher), embora esteja morando em outra casa. Quando uma família é composta por pai, mãe e filhos, ela é chamada de família nuclear. Quando outros parentes, como avós ou tios convivem com o casal e seus filhos, temos o que se chama de família extensa.

Os laços de parentesco são estabelecidos a partir da consanguinidade ou do casamento. Os casamentos ou uniões conjugais podem ser classificados basicamente de duas formas: monogâmicos – é a união de um homem ou de uma mulher com um único cônjuge; e poligâmicos – que é a união de um homem ou uma mulher com mais de um cônjuge.

No mundo ocidental, a poligamia é ilegal, embora os meios de comunicação e a literatura vez ou outra nos relatem casos de pessoas que vivem conjugalmente com mais de um marido ou mais de uma esposa.

Na perspectiva da Sociologia Funcionalista (Durkheim, Parsons), a família nuclear é considerada uma unidade fundamental para a organização da sociedade, pois detém as funções de transmitir às crianças as regras básicas da sociedade, bem como de proporcionar estabilidade emocional a seus membros. Mas, para estes sociólogos a grande importância da família refere-se à divisão de tarefas, que permite que um dos adultos saia para trabalhar enquanto o outro cuida da casa e dos filhos. Hoje, esta interpretação é considerada conservadora, pois pressupõe que a divisão das tarefas domésticas é um dado natural. Da mesma forma, as funções referentes à educação dos filhos, antes atribuídas somente à família, são cada vez mais divididas com outras instituições como o Estado, a escola e creches, além da forte influência exercida pelos meios de comunicação.

Após estas informações básicas vamos ao que interessa mais especificamente no pensamento sociológico. Ou seja, indagar, questionar, desconstruir o que parece “normal”, ou “natural”, ir na contramão de verdades repetidas anos a fio, romper com o que é aparente, e buscar o que está oculto, o que não é visível aos olhos da maioria, mas que pode ser apreendido pelos olhos curiosos da Sociologia.

Desenvolvendo esta forma de olhar, nosso estudo ganhará sentido e perceberemos a sua importância em nossas vidas. Quem sabe nosso objeto de estudo possa até tornar-se Sujeito, com todas as prerrogativas que lhe cabe!

Há algo mais intrinsecamente ligado a nós do que a nossa família?

É provável que não. No entanto, por que tão poucas vezes paramos para refletir sobre este assunto? Uma das respostas pode estar ligada aos ensinamentos que recebemos da ciência e da escola, que nos dizem que as coisas que estão longe de nós é que são importantes, como os afluentes do rio Nilo ou a dinastia do reino Franco, ao passo que a nossa história, nossas inquietações não são dignas de estudo e pesquisa.

Talvez este seja um dos motivos que nos leva a crer que o mundo em que vivemos não nos pertence, e assim pouco importa que nossos direitos sejam roubados e que nossas vidas sejam somente objeto de estudo para pesquisadores bem intencionados.

Será que a família sempre se organizou desta forma nuclear – pai, mãe e filhos? Observe que sempre começando pelo pai. Por que será? Será que as regras para o casamento são iguais em todas as sociedades? Você sabe por exemplo, que uma das regras na nossa sociedade é de que não podemos casar com os nossos irmãos ou irmãs.

Será que esta instituição chamada família sempre existiu? Será que a forma de organização familiar, como nós conhecemos hoje, é uma necessidade dos grupos humanos?

As respostas são: Não. Não. Não e não! Portanto, vamos às explicações: a complexidade que cerca as formas de organizações familiares é semelhante à profusão de sentimentos que estas nos despertam, como foi colocado anteriormente neste texto. Os exemplos de famílias que conhecemos e que parecem quase eternos são apenas algumas das muitíssimas possibilidades de agrupamentos familiares conhecidos na história. Antropólogos como Lewis Morgan (1818 – 1881), Bronislaw Malinowski (1884 – 1942), Claude Lévi-Strauss (1908 – ), ou cientistas sociais como Friedrich Engels (1820 – 1895), entre outros, buscaram em suas pesquisas as várias combinações criadas pelo ser humano para se organizarem socialmente.

Primeiramente é preciso esclarecer que não há uma escala evolutiva das sociedades humanas que caminharam das famílias poligâmicas para as monogâmicas. Essas duas formas básicas de casamento sempre coexistiram em toda a história da sociedade humana, o que indica que não há relação de superioridade ou inferioridade entre elas. Inclusive em alguns grupos sociais verificou-se a existência de ambas no mesmo tempo histórico.

Seria correto afirmar que a família é uma instituição que surge das necessidades naturais do ser humano (a procriação, por exemplo), ou seria também uma construção cultural, embasada em regras e valores?

Esta é uma questão com muitas respostas. O que se sabe, à partir de inúmeros estudos antropológicos é que podemos encontrar, mesmo nos mais remotos grupos humanos, regras que autorizam ou proíbem alguns tipos de união. Por exemplo, não se casar com o irmão, ou com o tio.

Esta prática é chamada de incesto. Portanto, uma relação incestuosa seria uma relação proibida, ou negada, numa dada sociedade.

Conclui-se daí, que quando o ser humano estabelece tais regras, ele está procurando expandir seu pequeno grupo, sair de sua família biológica.

Vamos a alguns exemplos de agrupamentos familiares distintos dos nossos conhecidos: os iroqueses (tribos norte-americanas), estudados por L. Morgan, consideram como seus filhos não somente os seus próprios, mas também os de seus irmãos, os quais também o chamam de pai. Os filhos de suas irmãs, por sua vez, são tratados como sobrinhos.

A iroquesa, por sua vez, considera como seus filhos aqueles provenientes de sua irmã, enquanto os filhos de seus irmãos são chamados de sobrinhos. Essas denominações implicam numa série de deveres e de obrigações de cada um dos membros, e que irão configurar o sistema social desses agrupamentos.

Estamos acostumados hoje com o fato de cada filho ter apenas um pai e uma mãe, no entanto, em muitas sociedades é comum que cada filho tenha vários pais e várias mães. Nos casos em que seja praticada a poligamia (pelos homens) e a poliandria (pelas mulheres), os filhos de um e de outros são considerados comuns, e responsabilidade de ambos.

B. Malinowski, em suas pesquisas com os nativos das ilhas Trobriand, um arquipélago de coral situado a nordeste da Nova Guiné, denominados papuamelanésia, verificou que estes constituem-se numa sociedade matrilinear. Isto quer dizer que a mãe é a referência para o estabelecimento das relações de parentesco, e de descendência, assim como cabem às mulheres as maiores responsabilidades nas atividades econômicas, cerimoniais e mágicas. O pai, mesmo acompanhando o crescimento dos filhos, é considerado simplesmente como o marido de sua mãe, não estabelecendo nenhum vínculo maior com estes.

As famílias matrilineares estiveram presentes durante muito tempo em diferentes lugares do mundo, e, segundo F. Engels, o desmoronamento deste tipo de organização familiar está relacionado com a prática do escravismo. O escravismo nas sociedades antigas é decorrência de vitórias ou derrotas nas guerras entre as tribos. Com a vitória, o homem apoderava-se das terras, rebanhos, prisioneiros (futuros escravos), da direção da casa e da mulher, que aos poucos torna-se servidora do homem. Temos aí o gérmem da família patriarcal – aquela em que o homem, o pai, é senhor absoluto de todos que vivem sob o seu domínio. Este, o chefe, permanece vivendo em poligamia, enquanto sua mulher e os outros membros de sua família devem-lhe total fidelidade.

Em sua origem latina, a palavra família provém de Famulus, que significa escravo doméstico, e família é o conjunto dos escravos pertencentes a um mesmo homem. O direito romano conferia ao pai o direito de vida e morte sobre todos que viviam sob suas ordens – esposa, filhos, escravos. Para Marx, “(…)a família moderna contém em seu germe, não apenas a escravidão como também a servidão, pois, desde o começo, está relacionada com os serviços da agricultura. Encerra em miniatura todos os antagonismos que se desenvolvem, mais adiante, na sociedade e em seu Estado”. (Marx apud Engels,1978: 62), ou seja, a desigualdade e a opressão da sociedade de classes capitalistas.

Podemos encontrar exemplos de família patriarcal muito próximos de nossa história, no período denominado Brasil Colônia. O protótipo da família patriarcal brasileira é a família latifundiária, embora este modelo possa ser encontrado também nos meios urbanos, entre classes de não-proprietários de terras, como profissionais liberais, comerciantes, militares, etc. No momento de organizarem suas famílias não havia dúvida de que cabia ao pai o papel principal e determinante de todas as outras relações entre mãe, filhos e empregados.

Na família patriarcal o pai é o grande proprietário: das terras, dos bens e das pessoas que habitam suas terras, não importando se estes estão ligados por laços sanguíneos ou não. O pai concentra todas as decisões, sejam referentes aos destinos da terra ou das pessoas, como o chefe de um clã. E todas as ações giram em torno da manutenção da propriedade. Este tipo de organização familiar faz com que esta se volte somente para si mesma, para seus próprios interesses, sendo a sociedade e o Estado instâncias secundárias. Não há a preocupação com a formação de cidadãos, mas somente de parentes ou agregados preparados para servir aos interesses do patriarca. As mulheres (esposa e filhas), são figuras quase invisíveis deste tipo de sociedade. Saem pouquíssimas vezes de casa (geralmente em festas religiosas), não aparecem para os visitantes, são proibidas de estudar, envelhecem cedo, pois casam-se ainda meninas (em torno dos 13 – 14 anos), têm vários filhos, praticamente não fazem exercícios (têm escravas para todos os afazeres domésticos). Os maridos para as filhas são escolhidos pelo pai, sendo o principal critério o volume de posses do pretendente.

Muitas vezes estas eram obrigadas a casarem-se com homens muito mais velhos, mas já estabelecidos economicamente. Os filhos, homens, tinham outras funções: ao mais velho cabia herdar e administrar a propriedade paterna, ao segundo cabia seguir a carreira eclesiástica. Constituía-se em motivo de orgulho e quase uma obrigação toda família “de bem”, formar um padre. O terceiro filho deveria prosseguir os estudos na capital ou na Europa, tornando-se “doutor”, provavelmente bacharel em direito ou médico.

Este modelo de família nuclear e patriarcal tornou-se ao longo da história do Brasil sinônimo de honra e respeitabilidade, seguido não só pelas classes mais abastadas, mas também pelas classes médias.

Gilberto Freye, sociólogo brasileiro, estudioso da formação da sociedade patriarcal brasileira, assim resume a importância da família colonial:

Este tipo de organização familiar exerceu profunda influência na formação social e cultural da população brasileira. O poderio do homem, resultou em atitudes como o machismo, a subserviência da mulher, a educação diferenciada de meninos e meninas, o preconceito e desrespeito contra empregados domésticos, mesmo quando estes não são mais necessariamente escravos.

Trata-se de um modelo forte, que sem dúvida impregnou o pensamento cultural brasileiro, mas que não impediu o desenvolvimento de outras formas de organização familiar.

A instituição familiar é essencialmente dinâmica, e este dinamismo tornou-se muito visível na segunda metade do século XX, não só no Brasil mas em praticamente todo o mundo ocidental. A família tradicional foi adquirindo contornos nunca antes imaginados. As novas configurações da família levaram a sociedade, e inclusive os cientistas sociais, a anunciarem a falência desta instituição social.

Mas não era o fim, e sim a prova da imensa capacidade criativa do ser humano de adequar-se a novas necessidades e novos valores. Os movimentos feministas que se iniciaram na década de 1950 na Europa, e logo chegaram ao Brasil, a entrada da mulher no mercado de trabalho, a mudança de valores na criação dos filhos, a quebra de tabus como a virgindade, a criação da pílula anticoncepcional, que propicia maior controle da mulher sobre seu corpo, os movimentos hippies (1960), que pregam o amor livre, a instituição do divórcio (1977) são alguns dos fatores que irão contribuir para as novas configurações de família.

A pesquisadora brasileira Elza Berquó, emprega em seus estudos uma nova terminologia: a de arranjos familiares, para denominar estas situações que refletem concepções de vida e estratégias de sobrevivência.

Vejamos algumas destas permanências e mudanças. A família nuclear ainda predomina na sociedade brasileira, apesar do número de filhos ter diminuído consideravelmente. Se em 1940, a média era de 6,2 filhos por mulher, em 1991, caiu para 2,5. O número de divórcios e separações aumentou, como também o das uniões conjugais não legalizadas. Muitos jovens hoje desejam “experimentar” a vida de casados antes de legalizar a união. Outros optam pela união livre, ou “viver juntos”, sem a preocupação de “prestar contas” à sociedade ou à Igreja. Apesar do número de pessoas casadas ser majoritária no cenário matrimonial, por outro lado têm decrescido as taxas de uniões legais (em 1979 atingia 7,83, e em 1994, passou a 4,96).

Outro tipo de arranjo que tem crescido nos últimos anos é o de famílias monoparentais – quando um dos cônjuges vive com os filhos, com a presença ou não de outros parentes na mesma casa. Neste tipo de arranjo há um predomínio das mulheres chefes de família (em 1995 representavam 89,6%, em relação à 10,4% de homens na mesma situação). Essas mulheres são hoje predominantemente separadas ou divorciadas, o que não ocorria na década de 1970, quando eram principalmente viúvas. São muitos os fatores que contribuem para esta prevalência das mulheres chefes de famílias. Junto com o aumento do número de separações e divórcios, temos, historicamente, o fato de que as chances de recasamento das mulheres no Brasil são mais baixas que as dos homens, seja pelo fato do número de mulheres ser superior ao número de homens, seja pela tradição masculina de se casar com mulheres mais jovens. Outro fator refere-se à mortalidade masculina que é superior e mais precoce do que entre as mulheres, resultando, portanto, em muito mais viúvas do que viúvos (hoje a expectativa de vida entre os homens está em ascenção). Cabe também lembrar o aumento do número de mães solteiras nos últimos anos.

Um aspecto que caracterizou durante muito tempo este arranjo familiar e que hoje está se modificando, era seu atrelamento com a situação econômica da mulher. A pobreza parece estar nas causas e nas consequências desta situação de comando da família pela mulher. É muito mais frequente encontrarmos nas camadas populares mulheres solteiras, viúvas ou separadas. A falta de dinheiro atinge de formas diferentes homens e mulheres. O homem tende muito mais a atitudes como sair de casa em busca de alternativas de trabalho – muitas vezes parte para outras terras e nunca mais retorna; acabando por perder o rumo de casa. Os conflitos constantes com a esposa devido às dificuldades em manter a família, algumas vezes chegam à violência, e também os levam a desistir, a abandonar o barco, ou o lar; isto sem contar os acidentes, sejam de trabalho, de trânsito, ou brigas de rua, que atingem muito mais os homens.

Essas são algumas justificativas para o alto número de mulheres chefes de família entre as camadas populares. Mas essa situação está se modificando, e pode-se observar que o crescimento desse tipo de arranjo familiar tem atingido também mulheres das camadas médias. Essas cada vez mais têm obtido independência financeira suficiente para não manterem casamentos desequilibrados e instáveis. A antiga preocupação em não desfazer a família para manter as aparências tem deixado de existir.

Todas essas mudanças apontadas acima têm resultado em importantes modificações nos padrões de comportamento dos membros das famílias. A mulher, uma vez que desempenha papel fundamental no orçamento familiar, não aceita mais submeter-se aos desmandos do marido. Os filhos, por sua vez, conquistam mais voz e espaço para opinar e, principalmente, decidir os rumos da própria vida. A hierarquia tão presente nas famílias tem aos poucos sido substituída por relações mais democráticas. Se há meio século podíamos afirmar que a instituição familiar se sobrepunha ao indivíduo, ignorando sua vida privada e seus anseios, hoje o indivíduo tem mais condições de impor suas vontades no núcleo familiar, seja qual for sua posição. E permanece a família se esta lhe oferecer segurança, afeto e, principalmente, não interferir em sua vida privada. Caso contrário este irá procurar outros espaços e outras formas de relacionamento social.

Falamos até aqui de famílias de sociedades tribais e de sociedades capitalistas. Mas se pesquisarmos a respeito de sistemas sociais distintos do capitalismo, como o socialismo e o anarquismo, iremos conhecer formas muito interessantes de conceber a instituição familiar.

Os adeptos do pensamento anarquista colocam-se contra todo e qualquer tipo de poder autoritário, que tenha como objetivos regulamentar e controlar a vida do indivíduo. Propõem portanto, a abolição do Estado e do governo, não importando quais fossem as suas formas; da Igreja, de qualquer credo religioso; do exército, das prisões, das escolas, tal como são organizadas, e também da família.

Não eram contrários à existência da família, mas críticos da família legal, submetida aos desmandos da lei, do Estado e da Igreja. Os anarquistas criticavam principalmente o tratamento dado à mulher dentro do casamento e da família. A mulher tratada como propriedade do homem, como animal doméstico, submissa às vontades e caprichos dos filhos.

Numa sociedade libertária, homens e mulheres teriam os mesmos direitos e deveres, e jamais a vida conjugal e familiar poderia ser embasada na autoridade de um dos cônjuges. Segundo Malatesta “(…)homens e mulheres na condição de seres humanos igualmente livres poderão, n futuro, celebrar uniões amorosas livremente, sem qualquer ingerência legal ou clerical, e o casamento consumado com base exclusivamente no amor recíproco deverá durar tanto quanto dure o amor”. (Malatesta apud Luizzetto, 1987: 84.) Portanto, o movimento anarquista não colocava-se contra a família natural, mas sim da família legal, “(…) fundada sobre o direito civil e sobre a propriedade, ao passo que o casamento religioso e civil seria substituído pelo casamento livre. (idem, p. 91).

Novamente falamos do amor como um sentimento que permeia as relações familiares. Lembram-se da imagem do casal da primeira página? “Que seja eterno enquanto dure…” o que lhe parece? Romântico e inconseqüente? Ou verdadeiro e responsável? Além dos jovens heterossexuais que buscam este tipo de casamento hoje, também não podemos omitir o crescente número de relacionamentos estáveis entre casais homossexuais. Estes casamentos estão quase sempre calcados na confiança e no compromisso mútuo, uma vez que poucos países reconhecem a legalidade destas uniões.

Os grupos organizados de homossexuais têm obtido importantes conquistas referentes à adoções de filhos e à permissão da utilização de técnicas de inseminação artificial. Essas conquistas são o anúncio do aumento da tolerância por parte da sociedade e do Estado, assim como da consolidação de valores como o respeito às diferenças.

Mais um indicativo de mudanças na organização da sociedade refere-se à opção que muitas pessoas fazem hoje de viverem sozinhas. Viver sozinho não tem mais o caráter negativo que tinha anos atrás. O indivíduo que vivia sozinho era considerado anti-social, infeliz ou solitário.

Hoje, muitas pessoas optam por viver sozinhas para garantir a privacidade, e poder escolher os momentos mais apropriados para estabelecer contatos com amigos e familiares. O modo de vida imposto pelas sociedades contemporâneas exige que estejamos constantemente nos relacionando com um grande número de pessoas (no trânsito, na escola, no trabalho, no comércio, etc.), o que se torna extremamente desgastante e cansativo. Este pode ser um dos motivos que levam algumas pessoas a refugiarem-se e buscarem novas energias na solidão, recusando o cotidiano familiar, que também impõe regras e exige atenção.

Não estamos falando aqui da famosa “solidão em meio à multidão”, da sensação de sentir-se sozinho mesmo estando cercado de pessoas, uma vez que estas pessoas não estão nem um pouco preocupadas se você vive ou deixa de existir. Também não estamos falando dos relacionamentos impessoais via Internet, que nos dão a falsa sensação de que não estamos sozinhos. Estas são situações que podem, inclusive, levar a doenças, como a depressão, e às quais estamos sujeitos se não estivermos atentos e não soubermos reagir contra valores da sociedade contemporânea que nos são constantemente impostos como o individualismo e a competição, por exemplo.

Enfim, para concluirmos este assunto, sobre o qual ainda há muito o que se discutir, cabe-nos novamente repetir que no âmbito deste tema – a família – não há verdades absolutas e muito menos modelos a serem seguidos obrigatoriamente. Podemos ter vindo de famílias mais rígidas, mais repressoras e controladoras de nossos pensamentos e ações. Assim, como podemos ter vindo de famílias mais abertas, equilibradas ou mesmo permissivas. É claro que estas condições nos deixam marcas, às vezes difíceis de serem superadas, mas o que importa é que a cada dia conquistamos mais liberdade para escolhermos a forma de convivência familiar que melhor se aproxima de nossas necessidades e desejos.

Não somos mais obrigados a casar para responder às expectativas sociais, a ter filhos para provar que podemos ser pais ou mães, ou conviver com pessoas que não mais nos agradam. Podemos mudar nossas opções iniciais, e repensar nossa vida familiar de acordo com o nível de maturidade que estivermos vivendo.

Desde que não nos maltratemos, e, mais do que isso, não façamos sofrer em demasia aqueles que um dia amamos (ou assim pensamos), estejam certos que de qualquer maneira de amor vale a pena(C.Velozo)

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